terça-feira, 3 de março de 2020

Organizar e Escolher

O ato de pensar sobre a própria vida, ou sobre si mesmo, não dever ser encarado como perda de tempo, tampouco como um tempo ocioso e devaneio, vagabundagem e fuga da realidade. Ainda que a realidade possa parecer propicia a fuga e um livro, uma taça, um filme e um trago são prazeres e deleites fugazes, a vida nos devolve para a realidade e fugir não é sequer possível. 
Existe a alienação, que é imposta, é sorrateira e permeia a realidade. Na alienação os sujeitos tornam-se desprovido de planejamento e por isso do próprio tempo. Logo, conhecer a si mesmo, os seus limites (a pobreza de recursos, por exemplo),  as suas vantagens (a herança de recursos e cultura, por exemplo) o entorno em que vive, a história do seu lugar e ter empatia e compadecimento para com os outros são instrumentos afetivos e cognitivos  importantes para romper com parte da alienação.
Faça um mapa mental, ou um fluxograma com chaves capaz de fazer você se "enquadre" na sua realidade e aja sobre ela.
Pode se partir das duas escolhas iniciais da Matrix, romper ou não com os esquemas que alienam ou, lutar por enquadramentos empoderados sobre sua realidade. As escolas são ambientes propiciosos para que os sujeitos possam desenvolver esses arcabouços cognitivos e afetivos. Aos que estão sujeitos a menos escolhas, parecer ser mais seguro fazer as escolhas iniciais, gozar os privilégios e sofrer as desvantagens de suas escolhas primordiais.   
O que não pode numa sociedade liberal é abrir mão da escolha, deixar que escolher sobre a própria vida é alienação que aniquila a individualidade.
Ainda que as escolhas sejam limitadas ao lugar, para usar uma figura de linguagem poética e popular, "só pegamos o que nossos braços alcançam e só andamos por onde nossos pés podem chegar", não há sentença de eterna limitação, mas não pode ser a ilusão de que "basta acreditar e querer, que vai ter", deve-se ter consciência de suas limitações, contorná-las ou superá-las. Exemplos:
- Um diagnóstico sobre sua situação de endividamento deve ser um instrumento de recusa a novas dívidas e não uma desculpa para endividamento maior;
- A nota baixa deve ser encarada como um sinal de que deve estudar mais e não uma desculpa para desistência do curso.
Contudo, reflexões sobre o porquê das dívidas, da nota baixa são enfrentamentos da frustração capazes de levar a tomada de consciência contra a alienação imposta por outros aos sujeitos, que por vezes não refletem. 
Ter menos escolhas pode ser por base em probabilidade mais seguro, entender tais escolhas e as suas limitações, pode ser por base indutiva a chave para mais opções de escolhas, mais responsabilidade, mas não necessariamente mais satisfação segura.  
De qualquer maneira os atos antever, rever, prescrever para planejar são ações organizacionais importantes para quem quer administrar a si e empoderar-se nas organizações.
Prof. Dr.º. Rafael dos Santos Borges.





  

segunda-feira, 2 de março de 2020

Os Dados: Um Capitalismo de Nova Fase e Velha Face


Temas importantes expostos no vídeo:
  • Há um mercado de dados legal (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13709.htm), regulamentado e lucrativo. Ainda parece obscuro ao cidadão comum, reconvertido em usuário. (Atenção! Nessa conversão para usuário o cidadão, que é portador de CPF, responsabilidade e poder de compra, passa a ser ao mesmo tempo consumidor e produto).
  • Os dados em si não geram riqueza, como no capitalismo industrial, onde a matéria prima passava por transformação para agregar valor e criação de mercadorias, que se reconvertiam em dinheiro - capital. Os trabalhadores, os sujeitos, apenas agregavam riqueza e consumiam. 
  • Dados não geram riquezas!
  • A profusão de dados nãos os torna menos valioso, por enquanto, os dados mais volumosos são os que valem mais.
  • Dados muito pontuais sobre os sujeitos ferem a individualidade, a moral e a justiça liberal que preza por privacidade.
  • Os trabalhadores com conhecimentos poderosos sobre como operar as grandes bases de dados são os que de fato transformam dados em riqueza, através de negócios, como marketing direcionado, manipulação da comunicação de massas, antecipações de informações por padrões de silogismos científicos e inferências de dedução e até indução.
  • Os trabalhadores capazes de realizar tais operações intelectuais são os únicos responsáveis por transformar dados em riqueza.
  • Ainda estamos em uma época de encantamento sobre mineração de dados, comércio de dados. Por isso, não há pudor e não sabemos da consequência completa dessas operações, os aspectos legais são recentes no Brasil e no Mundo.
  • Sobre o Brasil e o Mundo, os dados transpões e enfraquecem barreiras legais nacionais e a própria ideia de Estado-Nação. 
  • Havia na fase da popularização da internet em ambientes WEB uma perspectiva de liberdade de navegar e se informar. Agora, na fase da popularização da internet por mobilidade, por aplicativos e por redes sociais há uma perceptiva de navegação confinada, que é marcada pelo interesse em entender o padrão de navegação, conduzir o usuário-navegante e gerar dados ( Já escrevi sobre). 
  • Há dúvidas sobre este momento em que a interação das tecnologias é capaz de estabelecer padrões algorítmicos sobre os sujeitos e gerar uma inteligência artificial capaz de estabelecer relações dialógicas entre homens-máquinas-homens. Isso é novo, qual será o nosso limite moral? 
Prof. Dr. Rafael dos Santos Borges.

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Não nos conhecemos, mas nos contemplamos.

Eu já não sei dizer o que penso.
Se penso o que eu digo. 
Tampouco, digo o que eu penso. 
Nesses silêncios espero que ela entenda
tudo.
Das coisas que eu busco entender, 
mas não entendo e eu apenas sinto.
Não sei se vou, se fico, se rompo ou continuo.
Estou aqui em compasso de espera.
Aflito espero um pouco mais.
Quer ir embora? Quero que você vá? 
Desde que fique aqui. 

Ao retornar ao trabalho docente por vezes nós professores nos deparamos com frases assim como da epígrafe, (poeminha que fiz por compaixão dessa aflição dos meus alunos). Eles estão na escola, na faculdade, num tempo de espera, por outra formação, por colocação profissional, por mudança e esperança de vida. Dentre outras coisas tentam romper com antigos afetos, velhos amores, nessa ânsia por viver o desconhecido. Isso é uma parte do desenvolvimento, rupturas, continuidades, permanências.
Vivemos hoje uma época que exalta a rapidez, o fluído, efêmero e urgente, em um paradoxo sufocamos a juventude com tais expectativas, mas dizemos que o seu tempo é o agora. Cada um tem o seu tempo.
O livro, "Era do Cansaço," de Byung-chul Han, salienta que há um excesso de cobrança por positividade, produtividade e felicidade, deixando as pessoas mais deprimidas, improdutivas sobre o que realmente importa e infelizes, talvez, por uma desvalorização do tempo do ócio, que ele descreve como tempo de contemplação, silêncio e eu acrescento melancolia.
Justamente o tempo de ócio, do ócio produtivo é o tempo da juventude e o espaço é a escola. Na juventude e na escola temos a liberdade de experimentar e recusar, imaginar, contemplar e negar. Isso precisa ser ensinado na escola. Que há escolhas sobre o que fazer e o que deixar de fazer, além daquilo que é necessário fazer diante das próprias escolhas, por isso é preciso a contemplação e a imaginação.
Por exemplo, a escolha profissional, será que o jovem, o estudante, acredita que executando tais tarefas terá êxito? Irá fazer bem, bem feito, terá reconhecimento social- financeiro,  sobre aquilo que vai realizar?
Essas questões são importantes, elas vão além de divagações existências sobre o "quem sou eu?". Elas devem cumprir um vislumbre e contemplação sobre que vida eu desejo ter? Qual o meu papel social diante dos meus pares e do futuro da minha comunidade?
Na curta duração, devemos contemplar nosso dia, nele qual é a hora que  mais esperamos? O nosso tempo?
Na média duração, por exemplo, ao adentrarmos um curso, uma faculdade, percorremos esse caminho pois queremos chegar em qual lugar ou posição social? Estudamos para quê? Juntamos dinheiro para quê?
Na longa duração, que tipo de velho, de pai, de avô, de marido eu quero ser? O que vou deixar para os meus amados como segurança, esperança e exemplo? Terei a sorte de planejar minha morte?
Temos que nos contemplar diante do tempo.
Como professores devemos nos atentar para isso. Qual vida nossos alunos estão construindo e em que momento de vida eles se encontram?
A escola como um espaço de ensaio e de ócio deve se ocupar dos planos e desenvolvimentos de cada um. Chega dessa ideia de escola massificadora e formadora para empresas, indústrias e nações que já estão obsoletas.
Ao mesmo tempo que chega de deixarmos nossos alunos, nós mesmos, os jovens, perdidos num imediatismo, de decisões tomadas ao sabor de acontecimentos alheios aos nossos planos e desejos. Devemos ensinar nossos alunos a pensar, planejar executar, desistir, recomeçar para serem donos do próprio tempo e da própria vida.




quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

BOM SENSO


BOM SENSO
“Tente colocar bom senso na cabeça de um tolo e ele dirá que é tolice” (Eurípedes)
Bom senso é um conceito usado na argumentação que está estritamente ligado às noções de sabedoria e de razoabilidade, e que define a capacidade média que uma pessoa possui, ou deveria possuir, de adequar regras e costumes a determinadas realidades considerando as consequências, e, assim, poder fazer bons julgamentos e escolhas. Podendo, assim, ser definido como a forma de "filosofar" espontânea do homem comum, também chamada de "filosofia de vida", que supõe certa capacidade de organização, auto-controle e independência de quem analisa a experiência de vida cotidiana.
O bom senso é por vezes confundido com a ideia de senso comum, sendo, no entanto, muitas vezes o seu oposto. Ao passo que o senso comum pode refletir muitas vezes uma opinião por vezes errônea e preconceituosa sobre determinado objeto. O bom senso está ligado à ideia de sensatez, sendo uma capacidade intuitiva de distinguir a melhor conduta em situações específicas que, muitas vezes, são difíceis de serem analisadas mais longamente. Para Aristóteles, o bom senso é "elemento central da conduta ética. Uma capacidade virtuosa de achar o meio termo e distinguir a ação correta, o que é em termos mais simples, nada mais que bom senso."
bom senso vai muito além da capacidade de distinguir o certo do errado. O bom senso está diretamente ligado à capacidade intuitiva do ser humano de fazer a coisa certa. Ele é um elemento que está ligado à moral, de maneira que o bom senso praticado por um cristão, poderá ser interpretado de uma forma diferente por um islã ou judeu. Também reflete a cultura e o meio a qual o ser humano vive. O bom senso não envolve tanto uma reflexão aprofundada sobre um determinado tema, lugar ou situação (isso já entraria no campo da reflexão), mas sim a capacidade de agir e interagir, obedecendo certos parâmetros da normalidade, face uma situação qualquer, guiando-se por um senso comum e quase que completamente intuitivo.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Criticar é para quem pode!?


A atitude crítica[i]




A primeira característica da atitude filosófica é negativa, isto é, um dizer não ao senso comum, aos pré-conceitos, aos pré-juízos, aos fatos e às idéias da experiência cotidiana, ao que “todo mundo diz e pensa”, ao estabelecido.
A segunda característica da atitude filosófica é positiva, isto é, uma interrogação sobre o que são as coisas, as idéias, os fatos, as situações, os comportamentos, os valores, nós mesmos. É também uma interrogação sobre o porquê disso tudo e de  nós, e uma interrogação sobre como tudo isso é assim e não de outra maneira. O que é? Por que é? Como é? Essas são as indagações fundamentais da atitude filosófica.
A face negativa e a face positiva da atitude filosófica constituem o que chamamos de atitude crítica e pensamento crítico. A Filosofia começa dizendo não às crenças e aos preconceitos do senso comum e, portanto, começa dizendo que não sabemos o que imaginávamos saber; por isso, o patrono da Filosofia, o grego Sócrates, afirmava que a primeira e fundamental verdade filosófica é dizer: “Sei que nada sei”. Para o discípulo de Sócrates, o filósofo grego Platão, a Filosofia começa com a admiração; já o  discípulo de Platão, o filósofo Aristóteles, acreditava que a Filosofia começa com o espanto.
Admiração e espanto significam: tomamos distância do nosso mundo costumeiro, através de nosso pensamento, olhando-o como se nunca o tivéssemos visto antes, como se não tivéssemos tido família, amigos, professores, livros e outros meios de comunicação que nos tivessem dito o que o mundo é; como se estivéssemos acabando de nascer para o mundo e para nós mesmos e precisássemos perguntar o que é, por que é e como é o mundo, e precisássemos perguntar também o que somos, por que somos e como somos.

Para que Filosofia?
Ora, muitos fazem uma outra pergunta: afinal, para que Filosofia? É uma pergunta interessante. Não vemos nem ouvimos ninguém perguntar, por exemplo, para que matemática ou física? Para que geografia ou geologia? Para que história ou sociologia? Para que biologia ou psicologia? Para que astronomia ou química? Para que pintura, literatura, música ou dança? Mas todo mundo acha muito natural perguntar: Para que Filosofia?
Em geral, essa pergunta costuma receber uma resposta irônica, conhecida dos estudantes de Filosofia: “A Filosofia é uma ciência com a qual e sem a qual o mundo permanece tal e qual”. Ou seja, a Filosofia não serve para nada. Por isso, se costuma chamar de “filósofo” alguém sempre distraído, com a cabeça no mundo da lua, pensando e dizendo coisas que ninguém entende e que são perfeitamente inúteis. Essa pergunta, “Para que Filosofia?”, tem a sua razão de ser.
Em nossa cultura e em nossa sociedade, costumamos considerar que alguma  coisa só tem o direito de existir se tiver alguma finalidade prática, muito visível e de utilidade imediata. Por isso, ninguém pergunta para que as ciências, pois todo mundo imagina ver a utilidade das ciências nos produtos da técnica, isto é, na aplicação científica à realidade.
Todo mundo também imagina ver a utilidade das artes, tanto por causa da compra e venda das obras de arte, quanto porque nossa cultura vê os artistas como gênios que merecem ser valorizados para o elogio da humanidade.
Ninguém, todavia, consegue ver para que serviria a Filosofia, donde dizer-se: não serve para coisa alguma. Parece, porém, que o senso comum não enxerga algo que os cientistas sabem muito bem. As ciências pretendem ser conhecimentos verdadeiros, obtidos graças a procedimentos rigorosos de pensamento; pretendem agir sobre a realidade, através de instrumentos e objetos técnicos; pretendem fazer progressos nos conhecimentos, corrigindo-os e aumentando-os.
Ora, todas essas pretensões das ciências pressupõem que elas acreditam na existência da verdade, de procedimentos corretos para bem usar o pensamento, na tecnologia como aplicação prática de teorias, na racionalidade dos conhecimentos, porque podem ser corrigidos e aperfeiçoados.
Verdade, pensamento, procedimentos especiais para conhecer fatos, relação entre teoria e prática, correção e acúmulo de saberes: tudo isso não é ciência, são questões filosóficas. O cientista parte delas como questões já respondidas, mas é a Filosofia quem as formula e busca respostas para elas.
Assim, o trabalho das ciências pressupõe, como condição, o trabalho da Filosofia, mesmo que o cientista não seja filósofo.

Atitude filosófica: indagar

Se, portanto, deixarmos de lado, por enquanto, os objetos com os quais a Filosofia se ocupa, veremos que a atitude filosófica possui algumas características que são as mesmas, independentemente do conteúdo investigado.
Essas características são:
- perguntar o que a coisa, ou o valor, ou a idéia, é. A Filosofia pergunta qual é a realidade ou natureza e qual é a significação de alguma coisa, não importa qual;
- perguntar como a coisa, a idéia ou o valor, é. A Filosofia indaga qual é a estrutura e quais são as relações que constituem uma coisa, uma idéia ou um valor;
- perguntar por que a coisa, a idéia ou o valor, existe e é como é. A Filosofia pergunta pela origem ou pela causa de uma coisa, de uma idéia, de um valor.
A atitude filosófica inicia-se dirigindo essas indagações ao mundo que nos rodeia e às relações que mantemos com ele. Pouco a pouco, porém, descobre que essas questões se referem, afinal, à nossa capacidade de conhecer, à nossa capacidade de pensar.

A reflexão filosófica

A reflexão filosófica organiza-se em torno de três grandes conjuntos de perguntas ou questões:
1. Por que pensamos o que pensamos, dizemos o que dizemos e fazemos o que fazemos? Isto é, quais os motivos, as razões e as causas para pensarmos o que pensamos, dizermos o que dizemos, fazermos o que fazemos?
2. O que queremos pensar quando pensamos, o que queremos dizer quando falamos, o que queremos fazer quando agimos? Isto é, qual é o conteúdo ou o sentido do que pensamos, dizemos ou fazemos?
3. Para que pensamos o que pensamos, dizemos o que dizemos, fazemos o que fazemos? Isto é, qual é a intenção ou a finalidade do que pensamos, dizemos e fazemos?

Essas três questões podem ser resumidas em: O que é pensar, falar e agir? E elas  pressupõem a seguinte pergunta: Nossas crenças cotidianas são ou não um saber verdadeiro, um conhecimento?
Como vimos, a atitude filosófica inicia-se indagando: O que é? Como é? Por que é?, dirigindo-se ao mundo que nos rodeia e aos seres humanos que nele vivem e com ele se relacionam. São perguntas sobre a essência, a significação ou a estrutura e a origem de todas as coisas.



[i] CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo. Àtica. 2000. p.8.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Lógica


Muitas pessoas são introduzidas à lógica e se depararam com as seguintes perguntas: O que é lógica? Para que serve a lógica? Qual seu objeto de estudo?

Tais perguntas devem fazer completo sentido, e revelam-se relevantes a todo aquele que se interessa não apenas por aprender uma determinada técnica, mas também por conhecer os seus fundamentos e o seu objetivo.

Você pode abrir um livro de lógica e deparar-se com a seguinte passagem:
1      (1)  p→q       A
2      (2)  ¬q          A
1,2   (3)  ¬p          1,2MP

Caso ainda não conheça lógica, a passagem pode fazer tanto sentido quanto a sentença:
“a melão senhora bombeiros de”.

Para que a passagem faça sentido, você precisa dominar a sintaxe da lógica formal e seus métodos de prova – e isto exige um estudo técnico, em que você introjeta certas regras e memoriza certas convenções.

No entanto, a lógica não é apenas um conjunto de regras e postulações.

A despeito da maneira como se expressa relações lógicas, a lógica ocupa-se de argumentos.

É perfeitamente possível que haja outros sistemas de formalização lógica, com outras postulações, outra sintaxe e sinais até mesmo por nós desconhecidos – porém, se este sistema é um sistema lógico, então ele se ocupa de argumentos, e mostra não apenas como avaliar argumentos, mas também como construir bons argumentos.

A lógica ocupa-se de argumentos, e pode-se inclusive afirmar que o objeto de estudo da lógica é uma certa classe de argumentos. Porém, de início não fica claro por que a lógica ocupa-se de argumentos. Eu posso estudar argumentos com a finalidade de desenvolver técnicas para torná-los mais persuasivos, por exemplo. Este pode ser o caso se tenho o plano de atingir algum objetivo que envolve convencer as pessoas de que algo é verdadeiro, ou de que algo é bom e valioso, mesmo não sendo.

Mas esta não é a finalidade da lógica na sua avaliação e estudo de argumentos: a propriedade dos argumentos que interessa à lógica não é a sua força persuasiva ou seu valor prático, mas sim a sua validade.

A validade é uma relação entre valores de verdade.
Ela é expressa ao se dizer que, dado que determinadas proposições (ou sentenças, ou afirmações) são verdadeiras, então necessariamente outra proposição é verdadeira. Assim, se houver uma relação entre as premissas de um argumento e sua conclusão tal que é impossível que a conclusão seja falsa quando as premissas são verdadeiras, então esta é uma relação de validade.
A lógica é o estudo da validade de argumentos. A lógica é uma instrumento e linguagem formal ( onde a forma é o importante), como a matemática, ocupa-se essencialmente de relações. A diferença está em que a lógica se ocupa de relações entre proposições ou sentenças, e não somente de números, funções geométricas, operações algébricas. E na lógica há apenas valores binários:
1 - 0
Verdade - Falsidade.
Na Lógica uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo, por isso na lógica não há contradição.
Uma coisa não pode ser verdade e falsidade ao mesmo tempo, nem em outros tempos e lugares. O valor lógico é universal e satisfatório.

A Lógica  é o estudo do raciocínio válido.

Utilizada em atividades mais intelectuais, a lógica é estudada principalmente nas disciplinas de filosofia, matemática, semântica e ciência da computação. Ela examina de forma genérica as formas que a argumentação pode tomar, quais dessas formas são válidas e quais são falaciosas.
Por fim, a lógica também é estudada na teoria da argumentação.
A lógica é frequentemente dividida em três partes:

O raciocínio indutivo:
          
método indutivo ou indução é o raciocínio que, após considerar um número suficiente de casos particulares, conclui uma verdade geral. A indução, ao contrário da dedução, parte de dados particulares da experiência sensível. De acordo com o indutivista, a ciência começa com a observação

O raciocínio abdutivo:

O raciocínio abdutivo geralmente começa com um conjunto incompleto de observações e prossegue para a mais provável explicação possível para o grupo de observações. Baseia-se em fazer e testar hipóteses usando a melhor informação disponível. Muitas vezes, implica fazer um palpite educado depois de observar um fenômeno para o qual não há uma explicação clara.

           O raciocínio dedutivo:
          
raciocínio dedutivo é uma das duas formas básicas de fundamentação válida. Começa com uma hipótese geral ou fato conhecido e cria uma conclusão específica dessa generalização.


          Leis Gerias da Lógica:

Contradição:
Não há uma proposição falsa e real ao mesmo tempo;
Meio excluído:
          
Ou é F ou é V não há um terceiro valor;

Funcionalidade:

O valor de um proposição composta P (q,r,s) é V ou F determinado o valor das proposições que a contém.


terça-feira, 19 de novembro de 2019

Filosofia com alguma finalidade

Quando nós conduzimos discussões filosóficas com estudantes dos mais diversos níveis e tipos de formação, desde adultos até jovens e crianças, a filosofia parecer ser envolta em pensamentos dissonantes (ninguém pensa assim), fora do lugar e distante da realidade, mas é justamente ao contrário, pois a filosofia como prática reflexiva de vida está grudada na realidade.
As questões filosóficas ajudam a configurar uma forma de pensar "quem sou eu" diante dos outros e da realidade, por isso, ajuda aos estudantes viverem de maneira mais satisfatória, menos perigosa, pois ao pensar primeiro sobre si, além do instinto, o  ser se humaniza e por isso se torna melhor.
  
Na charge acima a primeira pergunta parece ser um devaneio, uma pergunta ingênua e infantil, mesmo porque a curiosidade pueril faz parte da filosofia. A resposta do adulto, na charge, busca conformar a criança, em "você não tem idade para entender,"  ou seja, cresça e apareça, ou melhor, "conheça primeiro a ti mesmo", parafraseando Sócrates. A consciência de si é importante para expansão da vivência em sociedade. A última frase, nos devolve o humor, a sinceridade e doçura quando o adulto admite que nele também persiste essa indagação infantil-pueril, assim ele consegue se colocar no lugar do outro, o que pergunta, e esforça-se ao considerá-lo ao dar uma resposta completa.
As perguntas filosóficas estão contidas também em decisões práticas sobre as nossas vidas.
O Menino Maluquinho parece fazer perguntas filosóficas e etéreas, sem estar atendo as questões do cotidiano, da vida, mas os colegas dele parecem entender que as questões e as preocupações  do Maluquinho deveriam estar  mais atreladas ao cotidiano, as circunstâncias nas quais ele está inserido. Nesse sentido as indagações são práticas. 
Já na charge abaixo, as indagações  não são filosóficas, mas a resposta nos leva a questões profundas como: "O que é ser feliz?"
O planejamento da vida, parece ser restrito para o interlocutor do menino ao planejamento da profissão e da realização material, necessária da vida. Porém, a resposta do garoto remete à indagações existências ao sujeito que pergunta. A busca por felicidade é realista? 
Dessa forma as reflexões filosóficas para as crianças e em qualquer tempo, são saídas importantes para a realização da prática de vida, que vai desde a realização profissional, cidadã até a atuação política dos indivíduos.    

Rafael dos Santos Borges.
As charges foram retiradas do perfil tirinhas inteligentes no instragram.